Stress E Bem-estar Psicológico Em Profissionais Especializados Em Limpezas De Cenários De Crime E De Risco Biológico

1 ano há5 min

Stress E Bem-estar Psicológico Em Profissionais Especializados Em Limpezas De Cenários De Crime E De Risco Biológico

Anaís Matilde Neto, Pedro de Viterbo Badoni & Cristina Queirós

Introdução
Nos cenários de morte, diversos profissionais (ex.: emergência pré-hospitalar, polícias, bombeiros) enfrentam situações potencialmente traumáticas, aumentando o risco de adoecer psicologicamente pelo trabalho, nomeadamente, entrando em estado de burnout, stress pós-traumático e reduzido coping resiliente (Caulkins, 2019; Faria et al., 2024; Mao et al., 2022; Soravia et al., 2021). Contudo são escassos, ou até desconhecidos, os estudos com profissionais de limpeza de cenários de crime e risco biológico (ex.: suicídio, homicídio, decomposição por morte não detetada, morte em cenário de acumulação), contrariando as sugestões da EU-OSHA (2025) para um ambiente laboral saudável. Estes profissionais estão expostos não só ao risco físico devido ao facto de os óbitos, nestes contextos, deixarem marcas e resíduos que constituem um risco para a saúde pública e individual (ex.: sangue, outros fluidos corporais), mas também ao risco psicológico pelos cenários emocionalmente perturbadores.

Recorde-se que o burnout pode ser definido (Schaufeli et al., 2020) como uma resposta desadequada ao stress crónico no trabalho, expressando-se em exaustão física e emocional, desinvestimento nas tarefas, indiferença nas interações com colegas ou clientes, falta de realização no trabalho, problemas cognitivos ou emocionais, e sintomas psicológicos ou psicossomáticos como irritabilidade ou problemas gastrointestinais. O stress pós-traumático (Weiss & Marmar, 1997) caracteriza-se por um estado de stress permanente após um acontecimento real ou percecionado de ameaça à sobrevivência ou normalidade da pessoa, expressando-se em hiperativação fisiológica, sensação de alerta constante, pesadelos ou pensamentos intrusivos, humor negativo constante e evitamento de locais ou conversas sobre o ocorrido. O coping (Sinclair & Wallston, 2004) consiste na capacidade de lidar com situações stressantes, caracterizando-se o coping resiliente pela capacidade de enfrentar situações adversas e desgastantes sem adoecer psicologicamente, sendo protetor do stress pós-traumático. Por fim, o engagement/motivação no trabalho (Schaufeli & Bakker, 2003) é protetor do burnout, consistindo num estado de prazer, realização e bem-estar associados às tarefas profissionais, expressando-se em capacidade de concentração/absorção nas tarefas, vigor e energia no trabalho, e dedicação à profissão/entidade laboral.

Este artigo pretende descrever os níveis de burnout, stress pós-traumático, coping resiliente e engagement/motivação no trabalho em profissionais de uma empresa especializada na limpeza de cenários de crime e de resíduos com risco biológico, bem como a relação entre estas variáveis psicológicas. O estudo insere-se num projeto mais vasto que analisa desde 2024, na FPCEUP, a vivência de situações potencialmente traumáticas em diferentes grupos profissionais.”

Para ler o artigo completo, consulte a revista BioHazMag 2025